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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

3º Classificado de André Fernandes

Um Guizo especial
 
Era uma vez uma família que estava a enfeitar a casa e a árvore para a festa de Natal. Usaram bolas, fitas coloridas, meias, luzes de várias cores, sinos e estrelas. Então chegou o dia de Natal.
 
Na casa estava, crianças e os pais deles à volta da lareira. Ao lado estava a árvore de Natal enfeitada e rodeada de presentes.

Quando chegou a noite da consoada reuniu-se toda a família à volta da mesa da ceia de Natal. Comeram couves com bacalhau e cabrito assado no forno. Após a ceia e enquanto não chegava a meia-noite, os membros da família conversavam, comiam filhós e bebiam café.

Quando soaram as doze badaladas instalou-se o alvoroço à volta da árvore de Natal. Os mais pequenos arregalavam os olhos com os brinquedos que iam desembrulhando. Então eles foram dormir mas, uns meninos ouviram um barulho na lareira foram ver o que lá se passava, era o pai Natal que deixou uma prenda que era um guizo para um menino especial que precisava dele para acordar o mundo e todos os meninos acreditarem no Pai Natal.


 
André Fernandes

4º F, 1º Ciclo de Sardoal

2º classificado de Nilton Silveira

SAMBA-ENREDO
 
Rio de Janeiro – Brasil – Início do Terceiro Milênio.

Agitada, a comunidade da Favela do Belém deixa a reunião na quadra da Escola de Samba, na qual foi apresentado o planejamento das atividades para o próximo carnaval, o que motiva todos a darem início às tarefas concernentes ao enredo escolhido: o Natal. São quase dois mil foliões prontos a recomeçar sentindo o gosto da vitória conquistada na última Festa de Momo, cujo término ocorreu há apenas dois meses.

Em seu barraco, iniciando o trabalho de confecção das asas que farão parte de sua reluzente fantasia, o benzedeiro Ângelo Gabriel olha através da janela e avista Maria, a jovem que fará o papel de Nossa Senhora na avenida. Ele a chama e, debruçado no peitoril, anuncia:

─ Nêga Maria, se prepare! Daqui a uns oito meses, você será mãe de um lindo moleque!

Maria acredita piamente nas previsões do rezador, que, para ela e a vizinhança, além de ser um bom homem, defende de feitiços e cura maus-olhados. Os dois conversam por um instante e ela prossegue, com sua lata d’água na cabeça, a pensar: Como dizer ao meu Zé que estou grávida, se ele, além de ser velho, diz que é estéril?

Contudo, apesar de preocupada, Maria, recém chegada da Vila Nazaré, alegra-se com a possibilidade de vir a ser mãe e dar ao filho o nome sonhado desde que se entende por gente: Jesus.

A princípio, ao receber a notícia de que a mulher está para ter um filho, Zé pensa até em separação, mas pergunta de si para si: Como vou viver longe da mulher que amo?... Resulta que, refletindo, decide assumir a paternidade da criança e tudo volta às boas na família.

Nesse clima de paz, Maria não falta a um ensaio sequer; mesmo com uma barriga de quase nove meses, como diz Don’Ana, sua mãe. Hoje, por exemplo, quase sem poder calçar a sandália ─ tanto é o inchaço dos pés ─, ela argumenta: Gente! Eu não posso faltar! É 24 de dezembro, véspera do Natal, e nada pode ser mais oportuno do que uma grande festa na quadra, já que o enredo de nossa Escola de Samba é uma exaltação ao nascimento de Jesus!

Próximo da meia-noite, preocupados com as próprias performances e indumentárias, os outros carnavalescos estão apostos e, sem que ninguém se dê conta da ausência de Maria no barracão, o mestre da bateria toma o microfone e grita: Vamos cantar o Natal aí, gente!

Assim, ao chamado do apito, retumba a bateria e a comunidade belenense canta o refrão do samba-enredo: Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade!

Nesse momento, uma estrela cadente rasga os ares e, do barraco em que se encontram Maria e Zé – com seus cães, gatos, passarinhos e uma tartaruga –, ecoa o vagido do menino Jesus... Jesus da Silva.


Conto Vencedor de Carlos Jesus Gil

O PRIMEIRO NATAL

Era dia vinte e quatro de Dezembro. Mafalda, uma menina de nove anos, fora com Teresa, empregada doméstica em sua casa, fazer as compras de Natal.

As ruas da baixa lisboeta estavam uma confusão, era um “mar de gente”… Mafalda, que resolvera enfrentar o frio agasalhando-se bem, deixara, inadvertidamente, cair o cachecol que lhe pendia do pescoço. Intuitivamente larga a mão de Teresa para apanhar o cachecol.

… Teresa não sabia o que fazer, foi uma questão de segundos!...

Mafalda chorava; para trás, para a frente, para os lados. Estava sozinha…na multidão!

Ao cabo de uns minutos, um vadio esfarrapado, um verdadeiro andrajoso, um “mete-medo-às-criancinhas”, aproxima-se de Mafalda. Esta não foge!

- O que tens, minha linda?

- Perdi-me de Teresa, a minha empregada.

- As palavras saíam-lhe da boca sem lágrimas por companhia, cada vez mais calmas à medida que ia tomando consciência que, por absurdo que parecesse, aquela situação não lhe era de todo estranha. Sempre estivera só, no meio de gente, mas só!

- Então os teus pais?

- O meu pai deve estar a chegar de Madrid, tem lá negócios. A minha mãe é advogada e também chega sempre tarde. E tu, onde vives?

- Eu?, eu vivo por aqui, nas ruas.

- Não tens casa?!

- Tenho, tenho muitas, em cada rua tenho uma.

- Onde vais passar o Natal, velhinho?

- Sozinho ou com os meus companheiros, numa das “nossas casas”.

- Deixa-me passar o Natal contigo.

- Não, vou levar-te à polícia, eles levam-te a casa.

- Não quero, em casa tenho muitas prendas mas não tenho Natal.

- Pois é, os pais de hoje dão coisas em vez de afectos!...

Mafalda passou a noite a partilhar as “iguarias”, a fogueira e os cartões dos vadios, mas teve Natal… O seu primeiro Natal.

Carlos Jesus Gil













































Concurso Conto de Natal

Recebemos 19 Contos de Natal...alguns chegaram depois do prazo, mas de qualquer forma serão todos publicados no Blogue.

Vieram um pouco de toda a parte, inluindo do Brasil; mas a maioria veio das crianças do 1º Ciclo de Sardoal. As crianças tiveram muita imaginação e escreveram pequenos contos.

Assim o vencedor é:

Carlos Jesus Gil, da Praia de Mira, Coimbra, com O Primeiro Natal.

O segundo classificado foi Nilton Silveira, de Porto Alegre, Brasil, com Samba-Enredo.

O terceiro foi  André Fernandes, 4º F, 1º Ciclo de Sardoal, com Um Guizo Especial.

Os três melhores vão sair na próxima edição O Sardoal, por isso esteja atentos.
Aqui podem também ficar a conhecer todos os contos participantes. Mas hoje são só os vencedores.

A todos os nossos Parabéns!
E o nosso Obrigado! Pois sem as vossas participações o concurso não podia ser realizado.