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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Cantinho dos Avós & Baú das Memórias

No dia 21 de Setembro fomos fazer mais uma sessão do Cantinho dos Avós e do Baú das Memórias ao Centro de Dia de Alcaravela.

Uma das histórias lidas foi o Elmer, de David Mckee.

O Sr. Augusto Serras lembrou-se de imediato de uma história que já me tinha contado. Uma vez numa feira no Sardoal, estava um senhor a vender porcos e trazia um porco preto, que foi logo vendido. Esse senhor mal vendeu o porco, foi-se logo embora. Pouco tempo depois percebeu-se porquê. Choveu e o porco preto começou a ficar cada vez mais claro....estava pintado de preto. Conclusão, os porcos pretos vendiam-se melhor e eram mais caros, essa pessoa pensou em pintar um de preto e vendê-lo como tal. Quem comprou é que ficou a perder, comprou um porco a pensar que era preto e afinal era "normal".

Depois foram algumas do livro Histórias que o Outono me Contou, de Soledade Martinho Costa.
Uma delas é entre uma cegonha, um relógio de campanário e um sino. Foi logo motivo de conversa como era antigamente, não havia relógios mas as pessoas sabiam as horas com uma mediana, pela tamanho da sombra, ou então pelo sino da igreja, mas neste caso, só em localidades com igreja, o que nem todas tinham, pois eram demasiado pequenas para tal.

Também falaram nas inúmeras dificuldades que tiveram quando eram jovens e numa curiosidade: o calçadeiro. O calçadeiro era um local na entrada da vila de Sardoal, onde as pessoas calçavam os seus sapatos quando vinham à missa ou ao mercado. Para não estragarem os sapatos, só se calçavam naquele local.

No final, ficaram alguns livros para lerem, aqueles que sabem, ou folhearem.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Cantinho dos Avós e Baú das Memórias

No dia 25 de Março começámos duas novas actividades da Biblioteca: Cantinho dos Avós e o Baú das Memórias.

As actividades que temos com os idosos limitam-se àqueles que têm facilidade de locomação, deixando de fora um número alargado de idosos sem a possibilidade de assistir às leituras das histórias ou de poder requisitar livros. Assim e a pensar naqueles que não podem deslocar-se até à Biblioteca, fomos nós ao Centro de Dia de Alcaravela, o primeiro a participar nas novas actividades.

Foram lidas algumas histórias desde a Galinha Medrosa; A Lebre e a Tartaruga; a Bela Moura.


Foram deixados dez livros no Baú das Memórias, que serão recolhidos no próximo mês, quando repetirmos a actividade.

É uma forma de aproximar aqueles que por motivos de saúde, não conseguem deslocar-se até à Biblioteca. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé.




Centro de Dia de Alcaravela

No dia 23 de Março os utentes do Centro de Dia de Alcaravela vieram ao Espaço Internet.
Desta vez vieram escrever quadras alusivas à Primavera.

É bom relembrar que a maioria não sabe ler nem escrever, alguns reconhecem as letras e uma das senhoras tem 92 anos de idade! A excepção do Sr. Augusto Serras que escreve sozinho.


Na primavera há flores,

E semeamos mimos na horta.

Semeamos com todo o gosto

Quer a terra ‘teja direita ou torta.

 
Arminda Florinda


 
Esta semana começou a primavera e bom tempo.

 
Gregório



Na primavera faz bom tempo, andamos com menos roupa e já há muitas frutas.

 
LUISA DO ROSÁRIO

 
ou lembrar a primavera é na altura quando se fazem as sementeiras o milho as batatas e se planta as cebolas as tomates as meloas os melões as melancias os pimentos a primavera é a estacão mais bonita do ano e quando os campos ficam floridos e quando os passarinhos fazem os ninhos eu gosto muito da primavera e a estação que eu mais gosto.



Augusto Serras

Alcaravela

23-3-2011



Júlia de Jesus

Pisão, Alcaravela

88 anos

 
Primavera tem bonitas flores

Mas não são iguais

Primavera vai e volta sempre

A mocidade é que não volta mais

 
Silidónia da Conceição

Panascos, Alcaravela

92 anos



Não há sol como o de Maio

Nem luar como de Agosto

Nem amor como o primeiro

Sendo ele amado com gosto
 
 








quinta-feira, 17 de março de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 16 de Março o Centro de Dia de Alcaravela veio à Hora do Conto.

Começámos por falar sobre os Censos. Sendo uma população idosa, logo desprotegida e mais facilmente iludida por quem possa vir com intenções menos boas. Assim, voltou-se a alertar para o cuidado que devem de ter nesta fase. Como conhecem bem os seus Recenseadores, ficam alerta, caso apareça alguém que não eles.

A história lida foi a Princesa e a Ervilha de Hans Christian Andersen e o Porqueiro.
Para nós são histórias bastante conhecidas, mas para estes idosos não, desconheciam a Princesa que para ser uma verdadeira princesa tinha de passar por uma prova bastante complicada. Dormir sobre sete colchões e sentir uma pequena ervilha debaixo de todos eles...e ela, como era realmente uma princesa verdadeira, sentiu e ficou com nódos negras, por ter dormido numa cama com tantos colchões, mas que tinha uma minúscula ervilha.

A história do Porqueiro não podia ser mais adequada, um dos senhores vendia leitões, identificou-se logo com a personagem do princepe que se fez passar por um simples guardador de porcos. Ele no fundo queria também uma princesa, mas esta interessava-se mais pela aparência e aquilo que lhe podiam oferecer.

Como é hábito, conversámos sobre as histórias e seguiram para o GETAS, onde já tinham outra actividade à sua espera.


sexta-feira, 4 de março de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 4 de Março os utentes do Centro de Dia de Alcaravela vieram à Hora do Conto.

Ouviram a história do Humberto e a Macieira. Foi muito engraçado, porque gostaram bastante da história e da ilustração. Fizeram comentários muito interessantes sobre a história, os pormenores dos desenhos, foi bastante curiosa a forma como comentavam o evoluir da história.



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 24 de Fevereiro os utentes do Centro de Dia de Alcaravela vieram ao Espaço Internet.
Escreveram laguns provérbios sobre o Carnaval, mas o Sr. Augusto preferiu escrever um pequeno texto sobre como era o Carnaval nos tempos da sua juventude.
Alguns ainda foram visitar o nosso blogue.
Como sempre, levaram os seus trabalhos impressos, mesmo os que não sabem ler nem escrever, é uma recordação que fica.


Fica aqui o texto do Sr. Augusto e os provérbios dos restantes:

Pelo Carnaval as pessoas vestiam-se os homens de mulheres e as mulheres de homens e vinham para a rua brincar ao Carnaval também as pessoas mais novas brincavam agarravam em objectos vários para aventar as portas das pessoas de mais idade e as pessoas todas se zangavam no outro ano era aonde os moços ião atentar primeiro

Augusto Serras

 
Carnaval na eira, Páscoa à lareira.
É Carnaval, ninguém. Leva a mal.
Não há Entrudo sem lua nova nem Páscoa sem lua cheia.

Joaquim de Oliveira
e
Gregório Matos


Carnaval na eira, Páscoa à lareira.
Namoro de Carnaval, não chega Natal.

Manuel André

 
Carnaval na eira, Páscoa a lareira.

Maria Augusta

Nasceu a 30 de Julho, 82 anos

Casal Pedro da Maia

 
Carnaval na eira, Páscoa à lareira.

 
Maria da Conceição Marques







quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 17 de Fevereiro os utentes do Centro de Dia de Alcaravela vieram a mais uma Hora do Conto.
A história que ouviram foi Apaixonados, de Rebecca Dautremer, para celebrar o Dia dos Namorados.

Foi muito engraçado, depois da história, contaram como era no tempo deles o namoro. Primeiro pedia-se em namoro as raparigas e elas davam a resposta, mas só no domindo, depois da missa. E não era bem como nós imaginamos, afinal até namoravam muito, tinham muitas namoradas, principalmente os rapazes. As raparigas não, tinham outras preocupações; tinham a casa para tomar conta, os irmãos, etc. Não tinham tempo para namorar. Uma das alturas de muitos namoricos era a apanha da azeitona, quando terminava, terminava também o namoro.

No final, fizeram o coração em quilling. A técnica é muito simples, uma tira de cartolina vermelha, um quadrado de cartolina branca. Dobra-se ao meio a tira e enrola-se as pontas para dentro. Depois é só colar o coração na cartolina.





segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 10 de Fevereiro os utentes do Centro de Dia vieram ao Espaço Internet escrever poemas de amor.

Tinham dois poemas de escritores conhecidos para copiarem, as senhoras preferiram o de Almeida Garrett, "Olhos Negros"; já os senhores preferiram o de Florbela Espanca "Amar".
O Sr. Augusto como sempre, preferiu escrever coisas dele e nós achamos muito bem, até porque consegue manusear o computador sozinho.


OLHOS NEGROS

POR TEUS OLHOS NEGROS, NEGROS

TRAGO EU NEGRO O CORAÇÃO

DE TANTO PEDIR-LHE AMORES…

E ELES A DIZER QUE NÃO.


E MAIS NÃO QUERO OUTROS OLHOS,

NEGRO S, NEGROS COMO SÃO,

QUE OS AZUIS DÃO MUITA ESPERANÇA

MAS FIAR-ME NELES, NÃO.


SÓ NEGROS NEGROS OS QUERO

QUE, EM LHES CHEGANDO A PAIXÃO,

SE UM DIA DISSEREM SIM…

NUNCA MAIS DIZEM QUE NÃO.


 

LUDOVINA DE JESUS

CIMO DOS RIBEIROS, ALCARAVELA

89 ANOS

IDALINA DE JESUS

ENTREVINHAS

86 ANOS


Olhos negros

Por teus olhos negros, negros

Trago eu negro o coração,

De tanto pedir-lhe amores…

E eles a dizer que não.
 
E mais não quero outros olhos,

Negros, negros como são,

Que os azuis dão muita esperança

Mas fiar-me eu neles, não.

 

Só negros, negros os quero,

Que, em lhes chegando a paixão,

Se um dia disserem sim…

Nunca mais dizem que não.

 

Maria da Conceição Marques

79 anos

Cerro do Outeiro, Mação


Luísa do Rosário

87 anos

Mouriscas


Amar!!!

 

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: aqui… além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…

Amare! Amar! E não amar ninguém!

Gregório
Amar!!!

Recordar? Esquecer? Indiferente !...

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

Manuel André











 









Era o amparo de mãe amava como

Ninguém um dos seus maiores amores

Era um rapaz muito honrado sentinela

Nos açores o seu lindo fardamento

Bonito todo cinzento que lhe ficava

Tão bem abraçado e a sorrir tira antes

De partir o retrato amais a mãe a pátria

Foi defender com grande saudade em

Quanto estivesse ausente passa dois

Anos ao lar volta pra mãe abraçar a

Transbordar de alegria quando as

Vizinhas à porta lhe dizem a mãe está

Morta sepultada de à três dias louco mal. Tirou o fato foi se abraçar ao retrato ao Cemitério dalém mas no silêncio finério procurou no cemitério a

Campa da sua mãe o cachão desenterrou e chorar se abraçou ao corpo da mãe gelado não chore mãezinha sorri não chore que esta junto a si o seu filhinho adorado esteve até de madrugada a chamar pela mãe amada e ao fim calou-se também o que triste caso aquele de manhã deram com ele morto abraçado à mãe.

Augusto Serras









quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Centro de Dia de Alcaravela - Hora do Conto

No dia 3 de Fevereiro os utentes do Centro de Dia de Alcaravela vieram à Hora do Conto.

Ouviram duas histórias do livro de Luísa Dacosta, Lá Vai Uma… Lá Vão Duas…
Uma com um vocabulário antigo, mas com uma história engraçada, que falava de um senhor que não gostava lá muito de pagar aos seus empregado. Até que aparece lá um desconhecido...primeiro teve de descobrir o que queria dizer as palavras...como o mata-ratos...ora, nada mais nada menos que um gato, pois claro.

A outra história falava de uma rapariga que vivia num monte, perto da aldeia, vivia com pouca coisa, mas chegava para viver feliz. Um dia apareceu um desconhecido, que acolheu prontamente em casa...o qual estranhou e perguntou se não tinha medo de ladrões...ora ela não tinha nada para roubar. Partilhou a comida e seguiu viagem o estranho.
Num ano mau, graças à sua cabrita "Estrela", deu de beber leite a umas crianças, cujo pai era viúvo e sem emprego. Quando arranjou emprego, encheu-se de coragem e pediu a rapariga em casamento.

As conversas são como as cerejas...e depois de falarmos sobre as histórias, conversámos de tudo um pouco.
Até do dia de Nossa Senhora das Candeias, que foi ontem, dia 2 de Fevereiro. Segundos este senhores, e já dizia a minha avó, se as Candeias sorrissem estava o inverno para vir, se chorassem, estava o inverno for. Pois...ontem sorriu, por isso ainda teremos mais dias de inverno.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 26 de Janeiro os utentes do Centro de Dia de Alcaravela vieram ao Espaço Internet.
Nesta sessão escreveram as ementas das refeições que se fazem nas matanças dos porcos.

São alturas em que toda a família está reunida, os vizinhos são convidados e amigos, para ajudarem a matar e desmanchar o porco, mas também ter boas refeições e tempos de convívio.


Ementa das matanças do porco de Alcaravela
Almoço do dia da matança

- Cabeças de nabo com feijão

- Arroz de bacalhau

- Molho de bacalhau



Jantar do dia da matança

- Sopa

- Couves de carne



Dia desmancha

Almoço

- Restos do dia anterior

- Semeneita (cebolada de fígado)

- Morcela assada



Jantar

- Arroz do osso do peito

- Couves de carne

- Miolada

_________________



>Gregório Matos

>Maria da Conceição Marques



Ementa das matanças do porco em Alcaravela

 
Almoço do dia da matança

- cabeças de nabo com feijão

- arroz bacalhau



jantar do dia da matança

- sopa

- couves de carne (cozido à portuguesa)

 
dia da desmancha

 
almoço

-resto do dia anterior

- semeneita (cebolada de figado)

- morcela assada

jantar

- arroz do osso do peito

- couves de carne

- miolada

 
Manuel Joaquim Navalho

Luísa do Rosário


O Sr. Augusto como sempre, preferiu fazer algo de diferente, até porque consegue escrever sozinho.

Acorda que estas dormindo



Nesse Sono tão profundo


À porta te estão Pedindo


Prás almas do outro mundo






Prás almas do outro mundo que elas


Não podem cá vir dai esmola se puderes


Nos Cá Estamos a pedir não pedimos vossas Riquezas só lhe pedimos as migalhinhas que sobram das vossa mesas






Oh minha RICA SENHORA Os VERSOS


VAO ACABAR VENHA DAR A ESMOLA


SE A SENHORA A QUIZER DAR






FICO LHES MUITO OBRIGADO


PELA OFERTA QUE NOS VEIO


DAR SE PRO ANO FORMOS VIVOS


CÁ TORNEMOS A VOLTAR


AUGUSTO SERRAS


VALE FERNANDO ALCARAVELA


SARDOAL








quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 20 de Janeiro, os utentes do Centro de Dia de Alcaravela vieram assistir à Hora do Conto.


As histórias que ouviram foram retiradas do Livro com Cheiro a Morango, de Alice Vieira. Ouviram três histórias; a primeira falava da Vaca Balbina que queria ser bailarina e que não gostou nada de ver uns campistas a comerem carne...imagina-se porquê!


A outra falava dos malmequeres...uns gostavam mais de amores-perfeitos…mas a melhor flor que se podia ter no jardim era mesmo a couve-flor. Além de ser bonita também se podia comer e em tempo de crise, nada melhor.


A terceira história falava de um mordomo, o Gastão, que era muito educado e trabalhava para um Condessa...que queria beber leite, mas não tinham vaca pois viviam num apartamento; mas ela continuava a querer beber leite...talvez viesse da loja...mas tinham dívidas e não lhes vendiam fiado. A solução foi tomar chá.


Estas são algumas das histórias que podemos encontrar neste livro, que cada página liberta um agradável cheio a morango, sempre acompanhado por uma história engraçada.


Depois conversámos sobre muita coisa...além das histórias, sobre os Censos 2011, porque é um assunto importante para ir informando que vai decorrer na freguesia onde vivem. Além de os alertar para a eventualidade de aparecer pessoas que nada têm a ver. Quando nós soubermos quem fica na freguesia de Alcaravela, iremos avisá-los; assim ficam a saber quem poderá aparecer.


Um dos senhores, sugeriu mesmo que já que uma das formas de preenchimento é através da Internet, numa das suas visitas ao Espaço Internet, a actividade seja o preenchimento do mesmo. Sugestão registada!




quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 12 de Janeiro os idosos do Centro de Dia de Alcaravela vieram ao Espaço Internet.

Como estamos no mês de Janeiro, escreveram quadras relacionadas com as Janeiras.

Na nossa zona há essa tradição de cantar as Janeiras e os Reis.
Grupos de pessoas juntam-se e vão pelas ruas das localidades cantar.

Estes idosos são da freguesia de Alcaravela, e lá há dois grupos distintos, os que cantam as Janeiras e os Reis.
Assim, escreveram duas quadras com as Janeiras.
Alguns já conseguem escrever sozinhos no computador, outros dizemos quais as teclas que devem carregar para escreverem. No final de contas, são realmente eles que escrevem, com ou sem ajuda.
Levaram impressas as quadras, sempre com muito orgulho!


VAMOS CANTAR AS JANEIRAS
 
ACORDAI SE ESTAIS DORMINDO,

NESSE SONO TÃO PROFUNDO,

A PORTA VOS ESTÃO PEDINDO,

P’LAS ALMAS DO OUTRO MUNDO.

 

AS ESMOLAS QUE NOS DAIS

NÃO JULGUEIS QUE AS COMEMOS

ELAS SÃO DITAS EM MISSAS

PELAS ALMAS QUE LÁ TENDES

(Sr. António e D. Luísa)


As janeiras



Acordai se estais dormindo,

Nesse sono tão profundo,

À porta vos estão pedindo,

P’las almas do outro mundo.


Vamos cantar as janeiras

Vamos cantar as janeiras

Por esses quintais adentro vamos

Às raparigas solteiras.

(Gregório)


O MINHA RICA SENHORA


VENHA VER O QUE CA VAI

VENHA DAR A SUA ESMOLA

SE A SENHORA A QUISER DAR


FICO LHES MUITO OBRIGADO

PELA OFERTA QUE NOS VEM DAR SE PRO ANO FOMOS

VIVOS CA TORNEMOS A VOLTAR

(Sr. Augusto)






















sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 7 de Janeiro os idosos do Centro de Dia de Alcaravela vieram à Hora do Conto.

Vieram ouvir história A Ovelhinha Preta, de Elizabeth Shaw, editado pela Caminho.

A história fala de um pastor que tinha o seu rebanho, o cão e uma ovelha especial: uma ovelha preta. O cão não gostava nada dessa ovelha...não cumpria as ordens dele...se eles gritasse "todas para a direita", a ovelha preta ia para a esquerda. O Piloto, o cão, achava mesmo que devia ser vendida. Mas numa noite de tempestade quem acabou por salvar o rebanho foi a ovelhinha preta.

Uma história deliciosa.

Depois, conversámos sobre os rebanhos que todos tiveram. Um dos senhores teve também um cão chamado Piloto.
Era normal terem rebanhos, para venderem os queijos e os cabritos. Normalmente não comiam os animais, eram todos para venda, com a excepção da festa de verão, aí matavam um animal para comeram em casa.

E eles também tinham ovelhas pretas...algumas eram mais "negras", pois portavam-se mal, estragavam as hortas e não obedeciam. Normalmente não haviam cães nos rebanhos desta zona, era mais no Alentejo.






quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Centro de Dia de Alcaravela

No dia 9 de Dezembro o Centro de Dia de Alcaravela veio à Hora do Conto e ao Espaço Internet.

Na Hora do Conto ouviram a mesma história contada às crianças. É muito interessante, eles têm gostos muito semelhantes, gostam das mesmas histórias. Gostaram muito de Uma Prenda de Natal, de M. Christina Butler, com ilustrações de Tina Macnaughton.

Conversámos sobre o Natal deles, quando eram crianças. A grande animação eram as filhóses. No sapatinho colocado na lareira, apareciam filhós de presente do Menino Jesus. Sim, estes idosos não conheciam o Pai Natal, nesta época ainda só "havia" o Menino Jesus. Também podiam receber roupa. Não havia outros presentes.

Em casa faziam o presépio, com musgo apanhado no mato; a árvore de Natal também era uma desconhecida.

As refeições eram normais, não havia comida especial, não comiam bacalhau, era muito caro, nem havia borrego ou peru, esse era para vender para fora e não para ser consumido em casa.

Não iam à Missa do Galo, ou porque levavam mais de uma hora a pé até à igreja mais próxima, ou porque não havia essa missa. E quando iam à missa só calçavam os sapatos perto da igreja, para não gastar a sola...sim, andavam descalços a maioria do tempo.

Depois fomos até ao Espaço Internet, onde escreveram as suas receitas das filhóses. Com excepção para o Sr. Augusto, continuou com a sua escrita. Este senhor já consegue escrever completamente autónomo e gosta muito do poder deixar as suas dieias registadas no computador. Todos imprimiram os seus trabalhos.

É bastante interessante ver a satisfação de levarem impresso aquilo que escreveram, para depois mostrar às outras pessoas. A maioria não sabe ler nem escrever, ou já esqueceu aquilo que aprendeu na escola.


Gregório Matos



Casal Velho


28 Março 1977




Filhós:
• Farinha, Açúcar, Água, Sal, Óleo, Fermento


Amassa-se tudo e deixa-se levedar.
Aquece-se o óleo.
Tira-se bocados de massa e leva-se a fritar.

IDALINA DE JESUS



MARIA D A CONCEIÇAO MARQUES


Filhós de Natal


3KG FARINHA TRIGA, AÇUCAR, 6 OVOS, FERMENTO


AMASS A-SE E DEIXA-SE LEVEDAR
TIRA-SE UM BOCADINHO PARA UM PRATO E FAZ-SE BOLINHA E COM AS MÃOS ABRE-SE DO TAMANHO QUE AGENTE QUER
UMA FIRGIDEIRA GRANDE COM ÓLEO QUENTE
PÕE-SE NA FRIGIDEIRA E VOLTA-SE
QUANDO ESTIVER LOIRO TIRA-SE


Júlia DE JESUS



MARIA AUGUSTA MARQUES


Filhós de Natal
1KG FARINHA, 3 OVOS, FERMENTO, AÇUCAR


JUNTA-SE TUDO E ACRESTA-SE AGUA
CANELA E AMASSA-SE
E DEIXA-SE LEVEDAR
TIRA-SE PARA UM PRATO E FAZ-SE UMA BOLINHA E ESTENDE-SE.
PÕE-SE UM TACHO AO LUME E QUANDO O ÓLEO ESTIVER QUENTE POE-SE A FRITAR
QUANDO ESTIVER LOIRO VOLTA-SE E TIRA-SE PARA UM PRATO.


Luísa do Rosário
Mouriscas
5 de Novembro 1923

receita dos fritos
Ingredientes:
farinha, leite, ovos, óleo, açúcar


Amassamos tudo abrimos a massa e fritamos. No fim colocamos açúcar e comemos.


 
Maria da Conceição

Presa
24 de Agosto de 1920


ingredientes:
água, farinha, fermento, sal, óleo, açúcar

preparar:
juntamos tudo e amassamos e deixamos levedar.
Em óleo quente esticamos a massa.
No fim colocamos no alguidar e passa-se por água quente açúcar e comer.




A do Sr. Augusto é diferente, mas fica também registada:

Maria José dos Santos

Formosa cheia de encantos
A três anos que namora
Um moço bem comportado
Rapaz sério mas honrado
Que cegamente o amava


Aos seus pais deu a entender o que tencionava fazer era com ele casar
O seu pai assim falou
ò filha a dizer te vou
do que andamos a tratar
tens o teu primo que é rico
bastante contente fico
ver-te casar com um doutor


Que me importa ele ser douto
Se não lhe tenho amor a filha
Assim respondeu meu pai lhe
Obedecerei mas nunca esquecerei
Do homem que para mim nasceu


No dia do casamento com um
Grande acompanhamento ela
À igreja chegou mesmo em frente
Do altar ela se foi ajoelhar e a Deus se confessou.


Depois de estarem casados
Novamente acompanhados
E lá foram para casa
Logo que à mesma chegou


No seu rosto demonstrou
Que sua alma estava em brasa
No seu quarto deu entrada
Depois da porta fechada


Um retrato a comoveu
Era o homem que ela amava delirantemente o beijava
E louca de amor morreu.


Augusto Serras
Val Fernando Alcaravela
2230-005 Sardoal


Torradas novas torradas a faca
Corta o limão assim E que se
Esta vendo a paga que os
Amores dão


Os pais nunca se metam no casamento
Dos seus filhos porque nunca se vêem livres de sarilhos


Augusto Serras
Val Fernando Alcaravela
2230-005 Sardoal